NATAL - JESUS X DINHEIRO

Na semana que antecede o natal o assunto que proponho hoje é justamente o espírito que envolve essa data tão importante para o mundo cristão, ou será para o mundo capitalista? Essa é a discussão que quero abrir a partir desse texto, o natal hoje tem um valor maior para o mundo cristão ou para o mundo consumista?

Em primeiro lugar vamos estabelecer algumas questões básicas para a discussão posterior. Ninguém sabe ao certo a data real do nascimento de Jesus Cristo, o que se sabe é que Ele não nasceu no dia 25 de dezembro, acredita-se que ele tenha nascido entre março e maio, isso levando em conta referências dos escritos bíblicos e de outros textos antigos. Por que então se comemora o natal no dia 25 de dezembro? Após a legalização do cristianismo e a estatização da Igreja durante o reinado de Constantino, seguindo preceitos muito mais políticos que espirituais, houve uma humanização acelerada da religião, aspectos, ações humanas e até mesmo pagãs adentraram os meios sagrados da religião cristã alterando tanto a mesma que no século XVI ocorreu uma ruptura dentro do cristianismo originando assim o protestantismo. No entanto o foco no momento é justamente esse período de desvios da Igreja e da religião cristã, nesse momento onde a importância política e do poder tinham um valor maior que os preceitos divinos, tivemos incorporações de práticas e festejos pagãos no meio cristão. O dia 25 de dezembro era comemorado como principal data pelos seguidores do mazdaísmo, religião de origem persa, o Ahura Mazda principal entidade dessa religião tinha como data de nascimento justamente o 25 de dezembro, grande parte do exército persa e até mesmo componentes importantes do exército romano seguiam essa religião, quando porém se “converteram” ao cristianismo por indicação de Constantino perceberam que não havia uma data registrada como a do nascimento do salvador Jesus Cristo, unindo o útil ao agradável trouxeram do mazdaísmo o 25 de dezembro e incorporaram ao cristianismo.

Muito bem, após identificarmos o porquê do 25 de dezembro, vamos para um segundo ponto, a comercialização da data. Desde as revoluções industriais na Inglaterra do século XVI e da ação cada vez maior do sistema capitalista, nossa sociedade foi se transformando até atingirmos um momento de ápice, que é justamente o que vivemos atualmente. O século XX representou a expressão máxima do poder capitalista no mundo político e a primeira década do século XXI vem demonstrando a ação máxima desse mesmo poder no âmbito pessoal, social. A total dependência do material, do dinheiro, vem nos mostrando como o homem tem se alterado e deixado para trás valores antes vistos como basilares para a formação do próprio homem em detrimento a ação cada vez maior do dinheiro. Sendo assim, toda e qualquer atividade social passou a ser comercializável, nossa vida é um verdadeiro balcão de comércio, você só é alguém se consome, datas importantes só tem valor se houver consumo, aniversário, dia das mães, dia dos pais, só são verdadeiramente lembrados hoje porque são datas onde se dá presentes, não é necessário ter mais carinho para com os pais, basta dar um bom presente em datas especiais. Dias são inventados inclusive, o publicitário João Dória na década de 60 inventou o dia dos namorados e o colocou no mês de junho que era um período de baixas vendas, esqueça de dar um presente para sua namorada ou namorado nesse dia e veja se o amor que ele(a) tem por você é realmente incondicional.

Podemos perceber então que nada escapa desse mundo cada vez mais consumista, nem mesmo a religião, verdadeiras dinastias econômicas vem sendo formadas através da utilização econômica do nome de Deus, Igrejas se tornam franquias e são vistas como verdadeiras empresas que tem por obrigação dar lucro no final do mês, hoje conversando com um amigo e irmão em Cristo fiquei sabendo de uma prática criminosa de um pastor de minha cidade, não sei se posso sequer chamá-lo assim, acho melhor tratá-lo como líder de um Igreja que no último ano cresceu de maneira desenfreada, digamos que muita gente deixou de pagar planos de saúde por acreditarem no que os líderes dessa Igreja pregam, muito bem, esse past.... quer dizer, líder, freqüenta um posto de combustíveis onde os frentistas são amigos desse meu irmão em Cristo com quem conversava hoje, ao abastecer seu carro nesse posto o líder dessa Igreja sempre pede um recibo com o dobro do que ele realmente gastou, meu amigo ainda fez o seguinte comentário: “...será que ele não sabe que não está roubando da Igreja e sim de Deus?”, fiquei quieto no momento, não estava no local e nem na hora de abrir um debate, mas não sei se posso considerar como representante de Deus tal Igreja e muito menos tal líder.

Isso acontece porque o dinheiro vem obtendo um espaço na vida do homem de tal maneira que vem tirando o espaço de Deus. Por isso que ao se falar em natal hoje em dia o primeiro pensamento que nos vem a cabeça é justamente o de “presentes”, “festas”, “comidas”, a última coisa que lembramos, quando é lembrado, é justamente o nascimento de Jesus, nosso Salvador.

Antes de criticarmos ações de ditos religiosos, antes de nos colocarmos como paladinos da fé cristã, vamos analisar melhor nossas próprias ações, o dinheiro, o meio material tem tomado um espaço em minha vida que deveria ser ocupado por Deus e por questões espirituais? Se a resposta for sim, após fazermos essa auto análise, devemos procurar uma mudança de vida, dando uma maior importância para Deus e também para aqueles que te rodeiam, pense bem a respeito do verdadeiro valor do dinheiro e do verdadeiro valor do amor e da amizade, e não se esqueça do aniversariante da próxima semana, dê um presente a Ele, sua vida por completo, não há presente mais valoroso para o Nosso Senhor, eu garanto.

Volta.....

Depois de uma bronca da dona Tina e também de uma baita propaganda da mesma, estou de volta com textos nesse espaço de discussão sobre coisas sobrenaturais, espero que todos possam não só ler mas também comentar, essa é a intenção, o debate o conflito de idéias, só assim obtemos conhecimento. Abraço a todos.

AMOR, O PRINCÍPIO CRISTÃO:

     Olha aí um assunto que pode até não ser muito polêmico, mas dá “pano pra manga”, a questão do amor. Em que pé está esse sentimento nos dias atuais? Você realmente ama? O amor hoje em dia ainda existe? Vamos tentar responder essas perguntas e debater um pouco sobre esse tema, o amor nos nossos dias e principalmente vamos analisá-lo enquanto principio cristão, será que esse sentimento está um pouco esquecido?

      O amor é um tema por demais amplo para se discutir, devemos então caracterizar, ou melhor, contextualizar em que panorama iremos debatê-lo. Existem temas extensos demais para um debate, ou até mesmo um texto, o amor é exemplo disso, o tempo, a vida, são temas subjetivos demais para um espaço onde se pretende discutir assuntos.

      Levando em conta também que o blog Debate Sobrenatural se apresenta justamente para debater assuntos que nos remetem ao metafísico, todos os temas aqui discutidos devem obrigatoriamente ter uma ligação direta ou indireta com o sobrenatural. Depois dessas considerações vamos ao tema em debate, aqui nos interessa falar do amor a partir do ponto de vista cristão, suas nuances e principalmente sua aplicabilidade hoje em nossa sociedade.

      Um filósofo cristão francês chamado Emmanuel Mounier, que não figura na turma dos filósofos pop star,ou seja, aqueles que são conhecidos pelo menos de nome por todos, defendeu em sua obra que o homem é amor. Como seria essa definição. A filosofia tem como combustível três perguntas básicas: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? A partir dessas perguntas ela se desenvolve e se ramifica. A pergunta quem somos? motivou a criação de várias linhas de estudo, uma delas, a de Emmanuel Mounier chamada de personalismo, onde ele defende que a característica determinante do ser humano, ou seja, o que torna o ser humano      diferente de todas os demais animais é justamente o amor, só para fazermos um paralelo, Descartes outro filósofo francês defendeu que o homem é pensamento, Aristóteles que o homem é experiência, e assim se segue várias linhas do conhecimento.

      Por que falar de filosofia, de Mounier? Porque esse filósofo francês resumiu a existência do homem no amor, e no amor cristão, se aceitarmos que Mounier estava certo e que o amor nos caracteriza como humanos, será que hoje merecemos ser chamados de humanos? Pois bem, antes de respondermos essa pergunta vamos analisar o conceito de amor cristão:


1º Na fala do próprio Deus encarnado, Jesus Cristo, vemos a importância do amor no universo cristão, quando um fariseu intérprete da Lei perguntou a Jesus qual era o principal mandamento, Ele lhe respondeu:


amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

(Mt 22: 37-40).


      Vejam a importância do amor na vida cristã, em primeiro lugar um cristão deve amar a seu Deus de todo o seu coração (carne, corpo, representação de vida terrena), de toda a sua alma (vida espiritual, sobrenatural) e de todo o seu entendimento (razão, pensamento, conhecimento), é um amor por completo, mas chamo a atenção para o que surge na fala de Jesus após essa parte, o segundo mandamento, que está em Mt 22:39, amarás o teu próximo como a ti mesmo, e a continuação diz que toda a lei e também tudo o que os profetas disseram dependem desses dois mandamentos, ou seja, quem quebrar um desses dois mandamentos não adianta nem correr pelos outros 10 mandamentos da Lei, já estará com problemas.


Amarás o teu próximo como a ti mesmo: cresci ouvindo isso, e por várias vezes já compartilhei com amigos que muitas coisas ensinadas nas Igrejas acabam, no passar do tempo, pela maneira de se ensinar, não mais tocando em nossos corações como deveria tocar. Vários assuntos tratados na religião de maneira repetitiva e massante tomam o sentido das ladainhas, infelizmente o amor tomou esse rumo. Quando lemos que se não amarmos nossos irmão como a nós mesmos não adianta nem argumentar porque estamos quebrando um dos principais mandamentos isso não nos preocupa, a cada dia surgem novos jovens ricos, que se veem como exemplo a se seguir, verdadeiros cristãos, resumindo, “se acham”, mas na verdade sequer passam pelos primeiros e mais importantes mandamentos.


O amor na Igreja primitiva: O livro de Atos nos mostra o início do cristianismo, a Igreja Primitiva ditando os passos para o começo de uma religião que mudaria o rumo da humanidade. O interessante é que o exemplo de Igreja que vejo como próxima de ideal (não acredito em Igreja ou religião ideal), é justamente essa Igreja Primitiva, porque não se tem muito da ação do homem nela, a institucionalização, as religiosidades, a tradição. Até porque ela estava nascendo, então era a ação de Deus sobre a congregação (vemos a ação direta do Espírito Santo várias vezes na Igreja Primitiva), e a experiência do amor cristão em comunidade.


Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2:43-47


      Quantos de nós hoje venderíamos nossos bens e dividiríamos com nossos irmãos? Ao menos repartir aquilo que tem. Você ajuda quando a diaconia de sua Igreja pede um quilo de alimento para um necessitado? Amar o irmão como a si mesmo. Você ajuda o seu vizinho sem olhar para o que ele tem? Amar o irmão como a si mesmo. Você sente amor por aqueles que não são ainda seus irmãos em Cristo e busca traze-los para a coletividade cristã? Amar o irmão como a si mesmo.


Amarás o teu próximo como a ti mesmo: um dos princípios da vida é o amor próprio, não se vive sem o amor a si mesmo. O que Jesus disse é extremamente importante e profundo. Se você se ama ao ponto de não morrer de fome por amor a si mesmo, como o seu irmão está morrendo de fome? Se você se ama ao ponto de não se drogar, como o seu irmão está morrendo de overdose?


      Para encerrar. Mounier defendeu que somos humanos apenas porque representamos e temos o amor. Dentro de tudo o que foi escrito, podemos nos chamar de humanos? Você é um humano? É interessante percebermos que quando um indivíduo age de maneira agressiva demais, matando alguém, torturando outro ser vivo, logo o chamamos de desumano, mas se você não se importa com o outro, se para você não faz diferença se o seu amigo é ou não um eleito do Senhor, se você não ama (no sentido cristão da palavra) o seu próximo, você também não deveria ser chamado de desumano?

      Que Deus nos faça cada vez mais humanos a cada dia que passa, mesmo vivendo em um mundo desumano.

A perfeição de Deus e a imperfeição do homem

            Estamos mais uma vez aqui para debatermos, na verdade ainda não houve um debate aberto aqui no blog, mas espero que em breve possamos discutir aquilo que está sendo postado.

            Muito bem, hoje vamos tratar de um assunto muito interessante, a relação entre a perfeição do Divino e a imperfeição humana na questão religião. É importante frisar que não será discutida aqui as estruturas religiosas, mas sim, a religião a partir de uma visão geral, claro que dentro do ponto de vista cristão.

            A grande questão dentro desse assunto é que grande parte da sociedade cristã não conseguiu ainda compreender que religião não é sinônimo de Deus, do Divino, isso faz com que muitos procurem e busquem a perfeição na religião, o que nunca vão encontrar, e por isso acabam frustrados com Deus, mesmo Ele não tendo responsabilidade sobre essa frustração.

            Em primeiro lugar devemos colocar aqui que a Perfeição só pode ser encontrada em Deus, em nenhum outro ser, instituição, individuo, meio material, pode se encontrar a perfeição, a não ser a própria perfeição divina. A perfeição da criação dos organismos naturais pertencem a seu Criador, Deus. A perfeição das criações provindas da inteligência humana vem Daquele que criou o homem, Deus, ou seja, a perfeição só pode ser encontrada em Deus. Se aceitamos isso, cremos também que fora de Deus não há perfeição, portanto, uma construção puramente humana não pode atingir a perfeição, e aí nos deparamos com uma questão que pode até chocar em um primeiro momento, a religião não é perfeita, na verdade a sua história mostra muitos erros e imperfeições que comprovam essa questão, a religião cristã não é perfeita e temos que aceitar isso.

            A pergunta que surge é, porque então a religião não é perfeita se ela é uma instituição de representação divina aqui na Terra? Simples, porque a religião foi construída e ainda é controlada por humanos e nós humanos somos imperfeitos. A humanização do sagrado foi deformando a religião, foi humanizando aquilo que deveria ser santo, a institucionalização da Igreja de Deus a fez poderosa, rica, influente, mas ao mesmo tempo, e cada vez mais, imperfeita.

            Por isso que por volta do século XVI o movimento da Reforma nasceu, a imperfeição da Igreja atingiu um nível que impedia a manutenção da ligação entre Deus e o humano, entre o perfeito e o imperfeito. Os caminhos tomados pela Igreja contradiziam os ensinamentos divinos, então Martin Lüther (Martinho Lutero) deu o primeiro passo rumo à uma reforma, ele não buscava organizar uma nova instituição religiosa, o que ele queria era reformar a Igreja de Deus, mas a imperfeição humana falou mais alto e Lutero foi visto como um traidor, o movimento que buscava uma reforma acabou criando uma nova doutrina, a doutrina dos protestantes, uma outra linha cristã surgiu, no entanto, também não era e não é perfeita, foi criada por homens, é dirigida até hoje por homens, e também cometeu erros, demonstrando sua imperfeição.

            Se fosse aqui enumerar tudo o que a religião fez de mal em toda sua história talvez fosse necessário meses escrevendo a fio, é bom lembrar também que se fosse eu aqui me dedicar a escrever tudo aquilo que a Igreja fez de bom e correto em toda sua história acredito que levaria anos para tal tarefa. O ponto central da discussão, no entanto, é que não devemos procurar em Igrejas, nos humanos, a perfeição, isso porque estaremos procurando em um lugar errado. Seria o mesmo que procurar pão no açougue ou tijolo na farmácia. Muitos indivíduos hoje se dizem fora de uma Igreja por não terem ainda achado uma Igreja perfeita, ficarão sem encontrar, porque ela não existe. No AcampGospel 2009 (acampamento de carnaval), um dos preletores, Pr. Robério, demonstrou muito bem essa questão dizendo: “A sociedade atual tem sede de Deus, as Igrejas lhe oferecem a água da vida para que possam saciar essa sede, no entanto, existe um rótulo no copo onde se encontra a água da vida e nele se lê, Igreja Presbiteriana, Igreja Metodista, Igreja Assembléia de Deus, Igreja Renascer, e o individuo mesmo sedento, ao ver o rótulo, se recusa a tomar da água”.

            Vivemos hoje um período de grandes transformações, muitas delas imperceptíveis em um primeiro momento, o mundo está cada vez mais necessitado de Deus, mas o individualismo faz com que esses sedentos não reconheçam a sua própria necessidade, a necessidade do outro, do irmão, da comunhão, a necessidade da perfeição, ou seja, de Deus.

            Que a nossa imperfeição humana não possa ofuscar a perfeição de Deus, mas que a perfeição de Deus possa brilhar cada vez mais em nós, mesmo sendo imperfeitos. “Que diminua eu, pra que Tu cresças Senhor mais e mais”. Só assim, colocando Deus acima de rotulações e de doutrinas poderemos ganhar esse mundo perdido.

            Que Deus nos abençoe irmãos nessa empreitada. Comentem, critiquem, coloquem suas opiniões, vamos crescer juntos, abraço a todos.

Caros amigos é com muita alegria que lhes apresento esse novo espaço para discussões e debates que abro.

Para alguns não será novidade, já que participam comigo do blog www.pensecomtininho.zip.net , mas para outros ter um local para debatermos temas a partir de textos construídos por esse que voz comunica é algo novo.

O blog que citei acima e que possuo já a 3 anos é uma via de comunicação e debate de assuntos relacionados a política, sociedade, história e até mesmo filosofia, psicologia, claro que tudo em um âmbito raso, nada acadêmico. No entanto, comecei a sentir falta de textos referentes à vida espiritual, questões religiosas, Igrejas, em suma, assuntos que tratam direta ou indiretamente de Deus. Mas, percebi que textos nesse sentido não caberiam no blog que mantenho a 3 anos, até porque não produziriam debates e discussões na linha que pretendo aqui provocar, poderia até, andar por caminhos de debates ideológicos o que não é o foco que pretendo ter.

Por isso então resolvi criar um outro blog, direcionado para vocês, por isso você recebeu o convite para visita-lo, porque sei que poderemos ter aqui construções interessantes, conclusões edificantes, mesmo que as idéias não sejam iguais. Esse blog conterá textos ligados ao metafísico, ao sobrenatural, nós vivenciamos isso constantemente, mas poderíamos dizer que entendemos isso?

Vamos então juntos nesse espaço criar meios para discutirmos muitas vezes aquilo que não discutimos em nossas Igrejas, com nossos pastores. Esse é um espaço aberto para colocarmos nossas idéias.

Sejam bem vindos amigos, e que Deus nos abençoe.

Para inaugurar esse espaço decidi postar aqui um texto que estava engavetado, mas que coloca um assunto que vem me incomodando e para mim é uma das grandes preocupações que a Igreja deveria ter nos dias atuais, no entanto não tenho visto essa preocupação por parte das Igrejas, o que se torna preocupante. Esse texto foi escrito durante o período em que ainda era um universitário e convivia em um ambiente acadêmico, onde o espiritual é um tanto quanto renegado. Possui pontos de vista pessoais, mas que podem dar vazão a um bom debate. Irmãos leiam e debatam comigo, isso é o que esse espaço pretende. Forte abraço a todos e que Deus nos abençoe.

ENSINO RACIONAL - ENSINO ESPIRITUAL

Outro dia conversando com um amigo ouvi uma frase que me assustou. A frase é a seguinte “...quanto mais aprendemos, menos acreditamos...”, essa frase me fez pensar e refletir no que leva alguém a pensar dessa forma. Esse amigo, que me disse isso, foi criado sob uma educação religiosa, na prática cristã evangélica assim como eu. No entanto nossos caminhos tomaram rumos diferentes. Enquanto eu continuei seguindo os preceitos cristãos evangélicos, ele se afastou devido a uma série de problemas e começou a trilhar outros rumos. Nunca deixamos de ser amigos, porém acabamos nos afastando, nossos caminhos se cruzaram de maneira mais próxima novamente há aproximadamente dois anos quando ambos iniciamos cursos superiores na mesma instituição. O reencontrei e me surpreendi com seu comportamento. Não era mais a mesma pessoa, tinha pensamentos diferentes e divergentes daqueles que haviam regido sua vida até sua decisão em deixar a Igreja. Nunca perguntei diretamente a ele se ainda acreditava em Deus, na verdade até a pouco tempo eu não sabia ao certo em que ele acreditava, no entanto essa semana tive a confirmação de sua atual situação de Ateu. A partir dessa constatação me lembrei da frase dita há tempos atrás, “...quanto mais aprendemos, menos acreditamos...”, e tornei a pensar, será isso verdade? Será realmente que o conhecimento é o meio que abre os olhos para a enganação chamada religião? Deus é o nosso criador ou nós que criamos um Deus? Essas são perguntas que permeiam aqueles que se deparam com um conhecimento racional mais profundo e se vêem muitas vezes acuados e sem respostas concretas a indagações nesse sentido. Mas será impossível que alguém possa se deparar com esse conhecimento científico e ao mesmo tempo se manter fiel à crença religiosa, a crença da existência de Deus?

         Dentro do curso superior de licenciatura plena em História nos deparamos com diversas situações em que a existência divina é colocada em xeque. Devemos logicamente levar em consideração que dentro desse curso o conhecimento é extremamente racional, ou seja, o conhecimento espiritual é ignorado e não deve ser levado em conta. Sendo assim, a tendência dentro do andamento do curso é um aumento substancial do conhecimento racional em detrimento ao espiritual, isso não ocorre somente no curso de História, mas em todos os cursos que englobam a área denominada de humanas. Se levarmos em conta esse precedente de desprezo pelo espiritual e culto ao racional não vemos aí um beneficiamento a uma das partes? Aqueles que não obtiveram um ensino adequado dentro do campo espiritual e recebem, a partir de um curso superior, essa carga de conhecimento racional considerável, logicamente terão uma visão cética em relação à espiritualidade, à existência de Deus. É natural, se você conhece mais um ponto de vista do que outro é normal que acredite e até defenda aquele que você possui maior conhecimento. Porém isso não o credencia a ignorar o outro ponto de vista e até defender a sua não existência.

         É amplamente compreensível então que pessoas “despreparadas” espiritualmente possam defender, a partir de um conhecimento racional, a não existência de Deus. Voltando a frase dita pelo meu amigo e que me assustou “...quanto mais aprendemos, menos acreditamos...” se essa frase fosse dita por alguém que não tivesse tido contato direto com a palavra de Deus até poderia passar desapercebida, mas não, foi dita por uma pessoa que teve uma educação religiosa, espiritual e que seguiu os caminhos cristãos até a sua mocidade. E é justamente essa situação que me assusta e me preocupa. Ao me deparar com isso e refletindo sobre o assunt, pude perceber que o ensino racional vem sendo mais eficaz e eficiente do que o ensino espiritual. Hoje o ensino racional está mais acessível, as universidades estão mais cheias, a educação superior está em franca ascensão e modernização, hoje os professores que almejam lecionar no ensino superior devem ter no mínimo mestrado, devem estar preparados e se preparando constantemente, o ensino é mais moderno, atual, não é baseado apenas em um núcleo, é amplo, com assuntos e temas variados que chamam a atenção, assuntos esses muitas vezes polêmicos, mas de discussão necessária e que são colocados e debatidos entre professor e aluno.

Em contrapartida o ensino espiritual não sofreu nenhuma mudança estrutural, ele ainda é praticado nos moldes de sua chegada ao nosso país, está desatualizado, velho, principalmente nas Igrejas Tradicionais, quantas conversões essas Igrejas obtém durante um ano? Existe dentro do meio evangélico uma subdivisão entre tradicionais, pentecostais e neopentecostais. Os pentecostais e os neopentecostais ainda inovam em determinados pontos, mas pecam ao radicalizarem e em muitas vezes, por essas radicalizações, saírem de um contexto bíblico.

As nossas Igrejas estão cada vez mais vazias, enquanto a educação racional está em ascensão a espiritual está decadente, sem generalizações, não há por parte de grande número dos líderes espirituais uma preocupação em se atualizar, em obter cada vez mais conhecimento espiritual para “guiar” suas ovelhas, se pressupõe que o líder seja o mais preparado não é? Vemos em nossas Igrejas um ensino cíclico e de duração curta, os mesmos assuntos são abordados constantemente, a bíblia não é utilizada em seu todo, com isso se tornam monótonos, não chamam a atenção, não aguçam a curiosidade. Isso ocorre porque aquele que ministra a palavra, aquele que está a frente não se preocupa em preparar algo diferente do que está acostumado preparar, a bíblia é um livro maravilhoso e que contempla todo o tipo de assunto, todo o tipo de ensinamento, a bíblia possui um conteúdo imenso que é pouco utilizado. Não há uma interação Igreja – Mundo, deveríamos ter uma visão de como nossa Igreja deveria participar do que vem acontecendo no mundo, mas não. Vivemos no eixo cíclico e constante dos assuntos, amor, fé, perdão, sempre baseados na visão do novo testamento. Não quero dizer que esses assuntos não são importantes, mas não são os únicos.

Nossas Igrejas não estão preparando espiritualmente suas ovelhas e isso é perigoso. Sem uma preparação, um conhecimento profundo do que vem a ser a espiritualidade, sem um contato direto com o maravilhoso Deus, sem uma visão ampla do que vem a ser o cristianismo, nossas ovelhas caminham, sem um cabedal adequado, para um enfrentamento com o conhecimento racional científico que lhes serão apresentados como verdadeiros e que muitas vezes poderão os convencer disso.

É preciso uma mudança estrutural e geral, para que possamos obter tanto o conhecimento espiritual como o racional, é necessário que tenhamos uma educação equivalente de ambos. Também não quero dizer que não podemos obter conhecimento racional, científico. Devemos sim sempre buscar mais conhecimento, mas a balança do equilíbrio entre razão e espírito deve estar no mínimo equivalente. Se há uma defasagem em algum dos lados o outro prevalece e esse não é o melhor resultado.

Não há como explicar Deus de forma racional, Deus não se explica, se sente, portanto o conhecimento espiritual não consegue de maneira científica provar a existência de Deus. Da mesma maneira que há situações que a razão não explica, situações conhecidas como sobrenaturais, mas que naturalmente são divinas. Busquemos melhorar a educação espiritual de nossos filhos para não vermos no futuro o ensino racional tomar o espaço vazio deixado pela falta de uma educação espiritual melhor. Que nossos filhos não digam “...quanto mais aprendemos, menos acreditamos...”, mas que possam dizer “...mesmo aprendendo, continuamos a acreditar...”.

 

Hamilton de Sousa Filho (Tininho)

Universitário – História

Membro da Igreja Presbiteriana Independente

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: