Caros amigos é com muita alegria que lhes apresento esse novo espaço para discussões e debates que abro.

Para alguns não será novidade, já que participam comigo do blog www.pensecomtininho.zip.net , mas para outros ter um local para debatermos temas a partir de textos construídos por esse que voz comunica é algo novo.

O blog que citei acima e que possuo já a 3 anos é uma via de comunicação e debate de assuntos relacionados a política, sociedade, história e até mesmo filosofia, psicologia, claro que tudo em um âmbito raso, nada acadêmico. No entanto, comecei a sentir falta de textos referentes à vida espiritual, questões religiosas, Igrejas, em suma, assuntos que tratam direta ou indiretamente de Deus. Mas, percebi que textos nesse sentido não caberiam no blog que mantenho a 3 anos, até porque não produziriam debates e discussões na linha que pretendo aqui provocar, poderia até, andar por caminhos de debates ideológicos o que não é o foco que pretendo ter.

Por isso então resolvi criar um outro blog, direcionado para vocês, por isso você recebeu o convite para visita-lo, porque sei que poderemos ter aqui construções interessantes, conclusões edificantes, mesmo que as idéias não sejam iguais. Esse blog conterá textos ligados ao metafísico, ao sobrenatural, nós vivenciamos isso constantemente, mas poderíamos dizer que entendemos isso?

Vamos então juntos nesse espaço criar meios para discutirmos muitas vezes aquilo que não discutimos em nossas Igrejas, com nossos pastores. Esse é um espaço aberto para colocarmos nossas idéias.

Sejam bem vindos amigos, e que Deus nos abençoe.

Para inaugurar esse espaço decidi postar aqui um texto que estava engavetado, mas que coloca um assunto que vem me incomodando e para mim é uma das grandes preocupações que a Igreja deveria ter nos dias atuais, no entanto não tenho visto essa preocupação por parte das Igrejas, o que se torna preocupante. Esse texto foi escrito durante o período em que ainda era um universitário e convivia em um ambiente acadêmico, onde o espiritual é um tanto quanto renegado. Possui pontos de vista pessoais, mas que podem dar vazão a um bom debate. Irmãos leiam e debatam comigo, isso é o que esse espaço pretende. Forte abraço a todos e que Deus nos abençoe.

ENSINO RACIONAL - ENSINO ESPIRITUAL

Outro dia conversando com um amigo ouvi uma frase que me assustou. A frase é a seguinte “...quanto mais aprendemos, menos acreditamos...”, essa frase me fez pensar e refletir no que leva alguém a pensar dessa forma. Esse amigo, que me disse isso, foi criado sob uma educação religiosa, na prática cristã evangélica assim como eu. No entanto nossos caminhos tomaram rumos diferentes. Enquanto eu continuei seguindo os preceitos cristãos evangélicos, ele se afastou devido a uma série de problemas e começou a trilhar outros rumos. Nunca deixamos de ser amigos, porém acabamos nos afastando, nossos caminhos se cruzaram de maneira mais próxima novamente há aproximadamente dois anos quando ambos iniciamos cursos superiores na mesma instituição. O reencontrei e me surpreendi com seu comportamento. Não era mais a mesma pessoa, tinha pensamentos diferentes e divergentes daqueles que haviam regido sua vida até sua decisão em deixar a Igreja. Nunca perguntei diretamente a ele se ainda acreditava em Deus, na verdade até a pouco tempo eu não sabia ao certo em que ele acreditava, no entanto essa semana tive a confirmação de sua atual situação de Ateu. A partir dessa constatação me lembrei da frase dita há tempos atrás, “...quanto mais aprendemos, menos acreditamos...”, e tornei a pensar, será isso verdade? Será realmente que o conhecimento é o meio que abre os olhos para a enganação chamada religião? Deus é o nosso criador ou nós que criamos um Deus? Essas são perguntas que permeiam aqueles que se deparam com um conhecimento racional mais profundo e se vêem muitas vezes acuados e sem respostas concretas a indagações nesse sentido. Mas será impossível que alguém possa se deparar com esse conhecimento científico e ao mesmo tempo se manter fiel à crença religiosa, a crença da existência de Deus?

         Dentro do curso superior de licenciatura plena em História nos deparamos com diversas situações em que a existência divina é colocada em xeque. Devemos logicamente levar em consideração que dentro desse curso o conhecimento é extremamente racional, ou seja, o conhecimento espiritual é ignorado e não deve ser levado em conta. Sendo assim, a tendência dentro do andamento do curso é um aumento substancial do conhecimento racional em detrimento ao espiritual, isso não ocorre somente no curso de História, mas em todos os cursos que englobam a área denominada de humanas. Se levarmos em conta esse precedente de desprezo pelo espiritual e culto ao racional não vemos aí um beneficiamento a uma das partes? Aqueles que não obtiveram um ensino adequado dentro do campo espiritual e recebem, a partir de um curso superior, essa carga de conhecimento racional considerável, logicamente terão uma visão cética em relação à espiritualidade, à existência de Deus. É natural, se você conhece mais um ponto de vista do que outro é normal que acredite e até defenda aquele que você possui maior conhecimento. Porém isso não o credencia a ignorar o outro ponto de vista e até defender a sua não existência.

         É amplamente compreensível então que pessoas “despreparadas” espiritualmente possam defender, a partir de um conhecimento racional, a não existência de Deus. Voltando a frase dita pelo meu amigo e que me assustou “...quanto mais aprendemos, menos acreditamos...” se essa frase fosse dita por alguém que não tivesse tido contato direto com a palavra de Deus até poderia passar desapercebida, mas não, foi dita por uma pessoa que teve uma educação religiosa, espiritual e que seguiu os caminhos cristãos até a sua mocidade. E é justamente essa situação que me assusta e me preocupa. Ao me deparar com isso e refletindo sobre o assunt, pude perceber que o ensino racional vem sendo mais eficaz e eficiente do que o ensino espiritual. Hoje o ensino racional está mais acessível, as universidades estão mais cheias, a educação superior está em franca ascensão e modernização, hoje os professores que almejam lecionar no ensino superior devem ter no mínimo mestrado, devem estar preparados e se preparando constantemente, o ensino é mais moderno, atual, não é baseado apenas em um núcleo, é amplo, com assuntos e temas variados que chamam a atenção, assuntos esses muitas vezes polêmicos, mas de discussão necessária e que são colocados e debatidos entre professor e aluno.

Em contrapartida o ensino espiritual não sofreu nenhuma mudança estrutural, ele ainda é praticado nos moldes de sua chegada ao nosso país, está desatualizado, velho, principalmente nas Igrejas Tradicionais, quantas conversões essas Igrejas obtém durante um ano? Existe dentro do meio evangélico uma subdivisão entre tradicionais, pentecostais e neopentecostais. Os pentecostais e os neopentecostais ainda inovam em determinados pontos, mas pecam ao radicalizarem e em muitas vezes, por essas radicalizações, saírem de um contexto bíblico.

As nossas Igrejas estão cada vez mais vazias, enquanto a educação racional está em ascensão a espiritual está decadente, sem generalizações, não há por parte de grande número dos líderes espirituais uma preocupação em se atualizar, em obter cada vez mais conhecimento espiritual para “guiar” suas ovelhas, se pressupõe que o líder seja o mais preparado não é? Vemos em nossas Igrejas um ensino cíclico e de duração curta, os mesmos assuntos são abordados constantemente, a bíblia não é utilizada em seu todo, com isso se tornam monótonos, não chamam a atenção, não aguçam a curiosidade. Isso ocorre porque aquele que ministra a palavra, aquele que está a frente não se preocupa em preparar algo diferente do que está acostumado preparar, a bíblia é um livro maravilhoso e que contempla todo o tipo de assunto, todo o tipo de ensinamento, a bíblia possui um conteúdo imenso que é pouco utilizado. Não há uma interação Igreja – Mundo, deveríamos ter uma visão de como nossa Igreja deveria participar do que vem acontecendo no mundo, mas não. Vivemos no eixo cíclico e constante dos assuntos, amor, fé, perdão, sempre baseados na visão do novo testamento. Não quero dizer que esses assuntos não são importantes, mas não são os únicos.

Nossas Igrejas não estão preparando espiritualmente suas ovelhas e isso é perigoso. Sem uma preparação, um conhecimento profundo do que vem a ser a espiritualidade, sem um contato direto com o maravilhoso Deus, sem uma visão ampla do que vem a ser o cristianismo, nossas ovelhas caminham, sem um cabedal adequado, para um enfrentamento com o conhecimento racional científico que lhes serão apresentados como verdadeiros e que muitas vezes poderão os convencer disso.

É preciso uma mudança estrutural e geral, para que possamos obter tanto o conhecimento espiritual como o racional, é necessário que tenhamos uma educação equivalente de ambos. Também não quero dizer que não podemos obter conhecimento racional, científico. Devemos sim sempre buscar mais conhecimento, mas a balança do equilíbrio entre razão e espírito deve estar no mínimo equivalente. Se há uma defasagem em algum dos lados o outro prevalece e esse não é o melhor resultado.

Não há como explicar Deus de forma racional, Deus não se explica, se sente, portanto o conhecimento espiritual não consegue de maneira científica provar a existência de Deus. Da mesma maneira que há situações que a razão não explica, situações conhecidas como sobrenaturais, mas que naturalmente são divinas. Busquemos melhorar a educação espiritual de nossos filhos para não vermos no futuro o ensino racional tomar o espaço vazio deixado pela falta de uma educação espiritual melhor. Que nossos filhos não digam “...quanto mais aprendemos, menos acreditamos...”, mas que possam dizer “...mesmo aprendendo, continuamos a acreditar...”.

 

Hamilton de Sousa Filho (Tininho)

Universitário – História

Membro da Igreja Presbiteriana Independente

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