A perfeição de Deus e a imperfeição do homem

            Estamos mais uma vez aqui para debatermos, na verdade ainda não houve um debate aberto aqui no blog, mas espero que em breve possamos discutir aquilo que está sendo postado.

            Muito bem, hoje vamos tratar de um assunto muito interessante, a relação entre a perfeição do Divino e a imperfeição humana na questão religião. É importante frisar que não será discutida aqui as estruturas religiosas, mas sim, a religião a partir de uma visão geral, claro que dentro do ponto de vista cristão.

            A grande questão dentro desse assunto é que grande parte da sociedade cristã não conseguiu ainda compreender que religião não é sinônimo de Deus, do Divino, isso faz com que muitos procurem e busquem a perfeição na religião, o que nunca vão encontrar, e por isso acabam frustrados com Deus, mesmo Ele não tendo responsabilidade sobre essa frustração.

            Em primeiro lugar devemos colocar aqui que a Perfeição só pode ser encontrada em Deus, em nenhum outro ser, instituição, individuo, meio material, pode se encontrar a perfeição, a não ser a própria perfeição divina. A perfeição da criação dos organismos naturais pertencem a seu Criador, Deus. A perfeição das criações provindas da inteligência humana vem Daquele que criou o homem, Deus, ou seja, a perfeição só pode ser encontrada em Deus. Se aceitamos isso, cremos também que fora de Deus não há perfeição, portanto, uma construção puramente humana não pode atingir a perfeição, e aí nos deparamos com uma questão que pode até chocar em um primeiro momento, a religião não é perfeita, na verdade a sua história mostra muitos erros e imperfeições que comprovam essa questão, a religião cristã não é perfeita e temos que aceitar isso.

            A pergunta que surge é, porque então a religião não é perfeita se ela é uma instituição de representação divina aqui na Terra? Simples, porque a religião foi construída e ainda é controlada por humanos e nós humanos somos imperfeitos. A humanização do sagrado foi deformando a religião, foi humanizando aquilo que deveria ser santo, a institucionalização da Igreja de Deus a fez poderosa, rica, influente, mas ao mesmo tempo, e cada vez mais, imperfeita.

            Por isso que por volta do século XVI o movimento da Reforma nasceu, a imperfeição da Igreja atingiu um nível que impedia a manutenção da ligação entre Deus e o humano, entre o perfeito e o imperfeito. Os caminhos tomados pela Igreja contradiziam os ensinamentos divinos, então Martin Lüther (Martinho Lutero) deu o primeiro passo rumo à uma reforma, ele não buscava organizar uma nova instituição religiosa, o que ele queria era reformar a Igreja de Deus, mas a imperfeição humana falou mais alto e Lutero foi visto como um traidor, o movimento que buscava uma reforma acabou criando uma nova doutrina, a doutrina dos protestantes, uma outra linha cristã surgiu, no entanto, também não era e não é perfeita, foi criada por homens, é dirigida até hoje por homens, e também cometeu erros, demonstrando sua imperfeição.

            Se fosse aqui enumerar tudo o que a religião fez de mal em toda sua história talvez fosse necessário meses escrevendo a fio, é bom lembrar também que se fosse eu aqui me dedicar a escrever tudo aquilo que a Igreja fez de bom e correto em toda sua história acredito que levaria anos para tal tarefa. O ponto central da discussão, no entanto, é que não devemos procurar em Igrejas, nos humanos, a perfeição, isso porque estaremos procurando em um lugar errado. Seria o mesmo que procurar pão no açougue ou tijolo na farmácia. Muitos indivíduos hoje se dizem fora de uma Igreja por não terem ainda achado uma Igreja perfeita, ficarão sem encontrar, porque ela não existe. No AcampGospel 2009 (acampamento de carnaval), um dos preletores, Pr. Robério, demonstrou muito bem essa questão dizendo: “A sociedade atual tem sede de Deus, as Igrejas lhe oferecem a água da vida para que possam saciar essa sede, no entanto, existe um rótulo no copo onde se encontra a água da vida e nele se lê, Igreja Presbiteriana, Igreja Metodista, Igreja Assembléia de Deus, Igreja Renascer, e o individuo mesmo sedento, ao ver o rótulo, se recusa a tomar da água”.

            Vivemos hoje um período de grandes transformações, muitas delas imperceptíveis em um primeiro momento, o mundo está cada vez mais necessitado de Deus, mas o individualismo faz com que esses sedentos não reconheçam a sua própria necessidade, a necessidade do outro, do irmão, da comunhão, a necessidade da perfeição, ou seja, de Deus.

            Que a nossa imperfeição humana não possa ofuscar a perfeição de Deus, mas que a perfeição de Deus possa brilhar cada vez mais em nós, mesmo sendo imperfeitos. “Que diminua eu, pra que Tu cresças Senhor mais e mais”. Só assim, colocando Deus acima de rotulações e de doutrinas poderemos ganhar esse mundo perdido.

            Que Deus nos abençoe irmãos nessa empreitada. Comentem, critiquem, coloquem suas opiniões, vamos crescer juntos, abraço a todos.

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