Volta.....

Depois de uma bronca da dona Tina e também de uma baita propaganda da mesma, estou de volta com textos nesse espaço de discussão sobre coisas sobrenaturais, espero que todos possam não só ler mas também comentar, essa é a intenção, o debate o conflito de idéias, só assim obtemos conhecimento. Abraço a todos.

AMOR, O PRINCÍPIO CRISTÃO:

     Olha aí um assunto que pode até não ser muito polêmico, mas dá “pano pra manga”, a questão do amor. Em que pé está esse sentimento nos dias atuais? Você realmente ama? O amor hoje em dia ainda existe? Vamos tentar responder essas perguntas e debater um pouco sobre esse tema, o amor nos nossos dias e principalmente vamos analisá-lo enquanto principio cristão, será que esse sentimento está um pouco esquecido?

      O amor é um tema por demais amplo para se discutir, devemos então caracterizar, ou melhor, contextualizar em que panorama iremos debatê-lo. Existem temas extensos demais para um debate, ou até mesmo um texto, o amor é exemplo disso, o tempo, a vida, são temas subjetivos demais para um espaço onde se pretende discutir assuntos.

      Levando em conta também que o blog Debate Sobrenatural se apresenta justamente para debater assuntos que nos remetem ao metafísico, todos os temas aqui discutidos devem obrigatoriamente ter uma ligação direta ou indireta com o sobrenatural. Depois dessas considerações vamos ao tema em debate, aqui nos interessa falar do amor a partir do ponto de vista cristão, suas nuances e principalmente sua aplicabilidade hoje em nossa sociedade.

      Um filósofo cristão francês chamado Emmanuel Mounier, que não figura na turma dos filósofos pop star,ou seja, aqueles que são conhecidos pelo menos de nome por todos, defendeu em sua obra que o homem é amor. Como seria essa definição. A filosofia tem como combustível três perguntas básicas: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? A partir dessas perguntas ela se desenvolve e se ramifica. A pergunta quem somos? motivou a criação de várias linhas de estudo, uma delas, a de Emmanuel Mounier chamada de personalismo, onde ele defende que a característica determinante do ser humano, ou seja, o que torna o ser humano      diferente de todas os demais animais é justamente o amor, só para fazermos um paralelo, Descartes outro filósofo francês defendeu que o homem é pensamento, Aristóteles que o homem é experiência, e assim se segue várias linhas do conhecimento.

      Por que falar de filosofia, de Mounier? Porque esse filósofo francês resumiu a existência do homem no amor, e no amor cristão, se aceitarmos que Mounier estava certo e que o amor nos caracteriza como humanos, será que hoje merecemos ser chamados de humanos? Pois bem, antes de respondermos essa pergunta vamos analisar o conceito de amor cristão:


1º Na fala do próprio Deus encarnado, Jesus Cristo, vemos a importância do amor no universo cristão, quando um fariseu intérprete da Lei perguntou a Jesus qual era o principal mandamento, Ele lhe respondeu:


amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

(Mt 22: 37-40).


      Vejam a importância do amor na vida cristã, em primeiro lugar um cristão deve amar a seu Deus de todo o seu coração (carne, corpo, representação de vida terrena), de toda a sua alma (vida espiritual, sobrenatural) e de todo o seu entendimento (razão, pensamento, conhecimento), é um amor por completo, mas chamo a atenção para o que surge na fala de Jesus após essa parte, o segundo mandamento, que está em Mt 22:39, amarás o teu próximo como a ti mesmo, e a continuação diz que toda a lei e também tudo o que os profetas disseram dependem desses dois mandamentos, ou seja, quem quebrar um desses dois mandamentos não adianta nem correr pelos outros 10 mandamentos da Lei, já estará com problemas.


Amarás o teu próximo como a ti mesmo: cresci ouvindo isso, e por várias vezes já compartilhei com amigos que muitas coisas ensinadas nas Igrejas acabam, no passar do tempo, pela maneira de se ensinar, não mais tocando em nossos corações como deveria tocar. Vários assuntos tratados na religião de maneira repetitiva e massante tomam o sentido das ladainhas, infelizmente o amor tomou esse rumo. Quando lemos que se não amarmos nossos irmão como a nós mesmos não adianta nem argumentar porque estamos quebrando um dos principais mandamentos isso não nos preocupa, a cada dia surgem novos jovens ricos, que se veem como exemplo a se seguir, verdadeiros cristãos, resumindo, “se acham”, mas na verdade sequer passam pelos primeiros e mais importantes mandamentos.


O amor na Igreja primitiva: O livro de Atos nos mostra o início do cristianismo, a Igreja Primitiva ditando os passos para o começo de uma religião que mudaria o rumo da humanidade. O interessante é que o exemplo de Igreja que vejo como próxima de ideal (não acredito em Igreja ou religião ideal), é justamente essa Igreja Primitiva, porque não se tem muito da ação do homem nela, a institucionalização, as religiosidades, a tradição. Até porque ela estava nascendo, então era a ação de Deus sobre a congregação (vemos a ação direta do Espírito Santo várias vezes na Igreja Primitiva), e a experiência do amor cristão em comunidade.


Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2:43-47


      Quantos de nós hoje venderíamos nossos bens e dividiríamos com nossos irmãos? Ao menos repartir aquilo que tem. Você ajuda quando a diaconia de sua Igreja pede um quilo de alimento para um necessitado? Amar o irmão como a si mesmo. Você ajuda o seu vizinho sem olhar para o que ele tem? Amar o irmão como a si mesmo. Você sente amor por aqueles que não são ainda seus irmãos em Cristo e busca traze-los para a coletividade cristã? Amar o irmão como a si mesmo.


Amarás o teu próximo como a ti mesmo: um dos princípios da vida é o amor próprio, não se vive sem o amor a si mesmo. O que Jesus disse é extremamente importante e profundo. Se você se ama ao ponto de não morrer de fome por amor a si mesmo, como o seu irmão está morrendo de fome? Se você se ama ao ponto de não se drogar, como o seu irmão está morrendo de overdose?


      Para encerrar. Mounier defendeu que somos humanos apenas porque representamos e temos o amor. Dentro de tudo o que foi escrito, podemos nos chamar de humanos? Você é um humano? É interessante percebermos que quando um indivíduo age de maneira agressiva demais, matando alguém, torturando outro ser vivo, logo o chamamos de desumano, mas se você não se importa com o outro, se para você não faz diferença se o seu amigo é ou não um eleito do Senhor, se você não ama (no sentido cristão da palavra) o seu próximo, você também não deveria ser chamado de desumano?

      Que Deus nos faça cada vez mais humanos a cada dia que passa, mesmo vivendo em um mundo desumano.

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