NATAL - JESUS X DINHEIRO

Na semana que antecede o natal o assunto que proponho hoje é justamente o espírito que envolve essa data tão importante para o mundo cristão, ou será para o mundo capitalista? Essa é a discussão que quero abrir a partir desse texto, o natal hoje tem um valor maior para o mundo cristão ou para o mundo consumista?

Em primeiro lugar vamos estabelecer algumas questões básicas para a discussão posterior. Ninguém sabe ao certo a data real do nascimento de Jesus Cristo, o que se sabe é que Ele não nasceu no dia 25 de dezembro, acredita-se que ele tenha nascido entre março e maio, isso levando em conta referências dos escritos bíblicos e de outros textos antigos. Por que então se comemora o natal no dia 25 de dezembro? Após a legalização do cristianismo e a estatização da Igreja durante o reinado de Constantino, seguindo preceitos muito mais políticos que espirituais, houve uma humanização acelerada da religião, aspectos, ações humanas e até mesmo pagãs adentraram os meios sagrados da religião cristã alterando tanto a mesma que no século XVI ocorreu uma ruptura dentro do cristianismo originando assim o protestantismo. No entanto o foco no momento é justamente esse período de desvios da Igreja e da religião cristã, nesse momento onde a importância política e do poder tinham um valor maior que os preceitos divinos, tivemos incorporações de práticas e festejos pagãos no meio cristão. O dia 25 de dezembro era comemorado como principal data pelos seguidores do mazdaísmo, religião de origem persa, o Ahura Mazda principal entidade dessa religião tinha como data de nascimento justamente o 25 de dezembro, grande parte do exército persa e até mesmo componentes importantes do exército romano seguiam essa religião, quando porém se “converteram” ao cristianismo por indicação de Constantino perceberam que não havia uma data registrada como a do nascimento do salvador Jesus Cristo, unindo o útil ao agradável trouxeram do mazdaísmo o 25 de dezembro e incorporaram ao cristianismo.

Muito bem, após identificarmos o porquê do 25 de dezembro, vamos para um segundo ponto, a comercialização da data. Desde as revoluções industriais na Inglaterra do século XVI e da ação cada vez maior do sistema capitalista, nossa sociedade foi se transformando até atingirmos um momento de ápice, que é justamente o que vivemos atualmente. O século XX representou a expressão máxima do poder capitalista no mundo político e a primeira década do século XXI vem demonstrando a ação máxima desse mesmo poder no âmbito pessoal, social. A total dependência do material, do dinheiro, vem nos mostrando como o homem tem se alterado e deixado para trás valores antes vistos como basilares para a formação do próprio homem em detrimento a ação cada vez maior do dinheiro. Sendo assim, toda e qualquer atividade social passou a ser comercializável, nossa vida é um verdadeiro balcão de comércio, você só é alguém se consome, datas importantes só tem valor se houver consumo, aniversário, dia das mães, dia dos pais, só são verdadeiramente lembrados hoje porque são datas onde se dá presentes, não é necessário ter mais carinho para com os pais, basta dar um bom presente em datas especiais. Dias são inventados inclusive, o publicitário João Dória na década de 60 inventou o dia dos namorados e o colocou no mês de junho que era um período de baixas vendas, esqueça de dar um presente para sua namorada ou namorado nesse dia e veja se o amor que ele(a) tem por você é realmente incondicional.

Podemos perceber então que nada escapa desse mundo cada vez mais consumista, nem mesmo a religião, verdadeiras dinastias econômicas vem sendo formadas através da utilização econômica do nome de Deus, Igrejas se tornam franquias e são vistas como verdadeiras empresas que tem por obrigação dar lucro no final do mês, hoje conversando com um amigo e irmão em Cristo fiquei sabendo de uma prática criminosa de um pastor de minha cidade, não sei se posso sequer chamá-lo assim, acho melhor tratá-lo como líder de um Igreja que no último ano cresceu de maneira desenfreada, digamos que muita gente deixou de pagar planos de saúde por acreditarem no que os líderes dessa Igreja pregam, muito bem, esse past.... quer dizer, líder, freqüenta um posto de combustíveis onde os frentistas são amigos desse meu irmão em Cristo com quem conversava hoje, ao abastecer seu carro nesse posto o líder dessa Igreja sempre pede um recibo com o dobro do que ele realmente gastou, meu amigo ainda fez o seguinte comentário: “...será que ele não sabe que não está roubando da Igreja e sim de Deus?”, fiquei quieto no momento, não estava no local e nem na hora de abrir um debate, mas não sei se posso considerar como representante de Deus tal Igreja e muito menos tal líder.

Isso acontece porque o dinheiro vem obtendo um espaço na vida do homem de tal maneira que vem tirando o espaço de Deus. Por isso que ao se falar em natal hoje em dia o primeiro pensamento que nos vem a cabeça é justamente o de “presentes”, “festas”, “comidas”, a última coisa que lembramos, quando é lembrado, é justamente o nascimento de Jesus, nosso Salvador.

Antes de criticarmos ações de ditos religiosos, antes de nos colocarmos como paladinos da fé cristã, vamos analisar melhor nossas próprias ações, o dinheiro, o meio material tem tomado um espaço em minha vida que deveria ser ocupado por Deus e por questões espirituais? Se a resposta for sim, após fazermos essa auto análise, devemos procurar uma mudança de vida, dando uma maior importância para Deus e também para aqueles que te rodeiam, pense bem a respeito do verdadeiro valor do dinheiro e do verdadeiro valor do amor e da amizade, e não se esqueça do aniversariante da próxima semana, dê um presente a Ele, sua vida por completo, não há presente mais valoroso para o Nosso Senhor, eu garanto.

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